Os prefeitos dos municípios que integram a Associação dos Municípios do Sul Paranaense (AMSULPAR) participaram nesta quinta-feira (11) da audiência pública promovida pelo Governo do Paraná para a apresentação do anteprojeto de engenharia que prevê uma série de obras voltadas à redução dos impactos das cheias do Rio Iguaçu. O encontro, realizado no Cine Teatro Luz, em União da Vitória, reuniu cerca de 400 pessoas e marcou um dos momentos mais importantes da história recente da região na busca por uma solução definitiva para um problema que afeta milhares de famílias há décadas.

Participaram do encontro o prefeito de General Carneiro, Joel Martins Ferreira; o prefeito de Cruz Machado, Carlos Novak; o prefeito de Bituruna, Rodrigo Rossoni; e o prefeito de União da Vitória, Ary Carneiro Junior.

O anteprojeto apresentado prevê investimentos estimados em R$ 1,3 bilhão e contempla 20 possíveis intervenções estruturais ao longo do Rio Iguaçu, com o objetivo de aumentar a capacidade de escoamento das águas e minimizar os impactos das enchentes. Entre as ações propostas estão escavações no leito do rio, dragagens, retificações, alargamento de curvas, construção de canais, túneis e diques de proteção.

A participação dos prefeitos da AMSULPAR reforçou a importância regional do projeto. Embora as enchentes atinjam diretamente municípios como União da Vitória e Porto União, os reflexos econômicos, sociais e logísticos afetam todo o Vale do Iguaçu, impactando o desenvolvimento dos municípios vizinhos e causando prejuízos em diversos setores.

Os estudos técnicos foram elaborados pela Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre), contratada pelo Paraná Projetos a pedido do Instituto Água e Terra (IAT), autarquia vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest). Somente nesta etapa de estudos, o investimento do Governo do Estado foi de aproximadamente R$ 5 milhões.

Durante a audiência, o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza, destacou que esta é a primeira vez que o Paraná possui uma proposta concreta, detalhada e tecnicamente fundamentada para enfrentar o problema das cheias do Rio Iguaçu.

“Essa é a primeira vez na história que, de fato, apresentamos uma proposta concreta para conter as cheias causadas pelo Rio Iguaçu. Um projeto robusto, com dimensionamento, valoração e cronograma, o que nos permite buscar os recursos necessários para, gradativamente, executar as intervenções”, afirmou.

Segundo o secretário, todos os estudos produzidos ao longo das últimas décadas foram considerados na elaboração da proposta atual, que passou por simulações técnicas capazes de comprovar a eficiência das intervenções previstas.

A modelagem apresentada pela Unilivre combina diversas soluções de engenharia. Entre elas estão a escavação do leito do Rio Iguaçu, intervenções na corredeira de Porto Vitória, alargamentos de curvas estratégicas, além da construção de canais de desvio, túneis no Morro da Dona Mercedes e em Porto Vitória, e a implantação de diques de proteção na área urbana.

De acordo com os estudos, a execução conjunta dessas intervenções poderá reduzir em até 2,70 metros o nível das cheias na região do Vale do Iguaçu. O prazo estimado para a execução das obras é de 48 meses.

A proposta prevê que a contratação seja realizada por meio do Regime Diferenciado de Contratações Integradas (RDCi), modelo em que a empresa vencedora da licitação ficará responsável tanto pela elaboração dos projetos básicos e executivos quanto pela execução das obras. A expectativa é que o processo licitatório possa ser iniciado nos próximos meses.

O deputado estadual Hussein Bakri, líder do Governo na Assembleia Legislativa, destacou que a busca por uma solução para as enchentes é um compromisso assumido junto à população de União da Vitória e de toda a região.

“Esse é um compromisso que assumimos com União da Vitória e toda a região do Vale do Iguaçu. Sabemos dos prejuízos e do sofrimento que as enchentes causam às famílias há décadas. Por isso, trabalhamos junto ao Governo do Estado para viabilizar os estudos necessários e agora seguiremos empenhados na busca dos recursos para transformar esse projeto em realidade. Não vamos medir esforços para encontrar uma solução para esse problema”, afirmou.

Com o anteprojeto concluído, o próximo passo será a busca pelos recursos necessários para viabilizar as obras. Entre as alternativas estão recursos do Tesouro Estadual, parcerias com a Assembleia Legislativa do Paraná, utilização de indenizações ambientais e a captação de recursos junto ao Governo Federal, considerando que a área de abrangência do projeto envolve os estados do Paraná e de Santa Catarina.

O diretor de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos do IAT, José Luiz Scroccaro, classificou a apresentação do estudo como um momento histórico para o Paraná.

“Conseguimos, com muito esforço, apresentar uma proposta concreta que vai beneficiar milhares de paranaenses que sofrem com as enchentes. Temos um estudo pronto, que vai nortear os caminhos para um novo Rio Iguaçu”, destacou.

Um problema histórico

A busca por alternativas para minimizar os efeitos das enchentes do Rio Iguaçu não é recente. Desde a década de 1970, diversos estudos foram realizados com o objetivo de encontrar soluções para as recorrentes cheias que atingem a região. Ao longo dos últimos 50 anos, cerca de 20 levantamentos e projetos foram desenvolvidos, mas nenhum deles chegou a ser efetivamente executado.

A maior enchente registrada ocorreu em 1983, quando o Rio Iguaçu atingiu 10,42 metros de altura, muito acima do nível considerado normal, de aproximadamente 2,5 metros. Situações semelhantes também foram registradas em 1992 e 2014.

Mais recentemente, em outubro de 2023, a região enfrentou a segunda maior cheia da história. Na ocasião, o rio alcançou 8,38 metros, provocando o alagamento de aproximadamente 40% da área urbana de União da Vitória e causando danos em cerca de 20 mil residências. Porto União, em Santa Catarina, também sofreu severos impactos, com famílias desabrigadas e prejuízos significativos.

Diante desse histórico, a apresentação do anteprojeto representa um marco para toda a região abrangida pela AMSULPAR. A expectativa dos prefeitos e das lideranças regionais é de que o estudo avance para as próximas etapas e que os recursos necessários sejam viabilizados para transformar em realidade uma obra aguardada há décadas por milhares de moradores do Vale do Iguaçu.